NÃO SOU COMUNISTA, MAS DEFENDO O BEM COMUM


Não sou comunista, mas defendo o bem comum. E quem se diz cristão, mas transformou o combate ao comunismo na principal razão de sua fé, talvez esteja enganando a si mesmo — e usando o nome de Cristo para justificar aquilo que Jesus nunca ensinou.

Por que digo isso?

Porque os ensinamentos de Jesus apontam para o Reino de Deus: um reino de partilha, justiça, misericórdia e fraternidade. Entre os primeiros cristãos, tudo era colocado em comum e não havia necessitados entre eles.

Jesus disse ao rico que vendesse o que possuía, repartisse com os pobres e encontraria um tesouro no céu. João Batista ensinou que quem tivesse duas túnicas deveria repartir com quem não tivesse nenhuma — e quem tivesse comida deveria fazer o mesmo.

Na parábola dos trabalhadores da vinha, todos receberam o mesmo valor da diária, embora tivessem cumprido jornadas diferentes. Na parábola do grande banquete, os poderosos recusaram o convite e os pobres foram chamados para ocupar seus lugares à mesa.

Foi Jesus também quem defendeu uma mulher cercada por homens dispostos a apedrejá-la, dizendo que aquele que não tivesse pecado poderia atirar a primeira pedra.

Esse é o Jesus que eu sigo: o Jesus que acolhe os excluídos, alimenta os famintos, confronta os poderosos e coloca a vida humana acima do dinheiro.

Mas parece que não podemos falar muito sobre esse Jesus em algumas igrejas. Se defendermos a partilha, a justiça social e o cuidado com os pobres, corremos o risco de sermos expulsos aos gritos de “comunista”.

Talvez porque seja mais fácil adorar um Cristo pregado na parede do que seguir o Cristo revelado no Evangelho.

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